Agora são horas e minutos - Bem-vindos ao Memories!


20 dezembro 2015

Boas Festas!


Cores que se misturam criam novas e múltiplas nuances que, variadas e mesmo desiguais, quando aproximadas com respeito, enriquecem a arte de viver.


Feliz Natal!

 Um Ano de Paz!


( Pablo Picasso - Dança pela Paz )


23 janeiro 2015

Abelisa



      Me contaram que...    
   
      Num lugar bem longe e bonito, morava uma rainha chamada Abelysa.    
   
      Ninguém sabia porquê...    
   
      Nos caminhos da serra, na beira do rio...    
   
      Tanto de noite, como de dia, a bela rainha aparecia, mas...sempre sozinha!   
   
      Pensavam que ela era triste, mas não parecia...    
   
      Que era má e antipática, mas não parecia...    
   
      Que era pobre ou doente, mas não parecia...    
   
      Julgaram que não tinha casa.    
   
      Talvez sem ninguém que lhe desse carinho.   
   
      Coitada! Quem sabe, o seu sofrimento!    
   
      Até já havia quem lhe ouvisse o lamento.    
   
      Numa manhã fresca, já diziam ''fria!''    
   
      Num dia de sol, ''calor de rachar''!    
   
      Numa orvalhada, ''uma chuva danada''!    
   
 
      *    
   
      Mas num belo dia, que surpresa tiveram!    
   
      Todos viram bem, difícil de acreditar!   
   
      Abelysa feliz, às cambalhotas, de um lado para o outro, toda agitada...    
   
      Festejando a primeira flor da Estação, de uma amendoeira rosa!  
   
      Viram também chegando suas amigas, tantas, tantas, que nem se podiam contar!    
   
      Tanta alegria, tanta dança, tanta música no ar!    
   
      Adeus falação...    
   
      De ''tristeza'', de'' pobreza'' ou de''solidão''.    
   
      Adeus ''manhãs frias''...    
   
      ''Calor de rachar''...    
   
      Adeus ''chuva'', adeus ''lamento''.   
   
      Nada de ''sofrimento''!  
   
      A bela rainha Abelysa só estava se preparando para fazer a festa naquele esperado dia!    
   
      Quem podia imaginar? 
   
(Ilustração de Mary Barker)

                                                                                                                        Lou
   

15 janeiro 2015

Sabiá bebeu licor



(Ilustração de Anna Silivonchik)


Sabiá bebeu, bebeu
Sabiá bebeu licor...
Sabiá toca vióla
Sabiá, canção de amor!

No caminho de Goiás
Quem achar um lenço é meu...
Molhado nos quatros cantos
Quem chorou nele fui eu!

Ribeirão que corre água
E no fundo corre areia...
Se namoro fosse crime
Eu morava na cadeia!

19 abril 2014

*

Uma boa Páscoa para os meus queridos amiguinhos! 
Um abraço imenso, do tamanho do mundo!

Lou

06 setembro 2012

Nina


Será possível prever,quando que vai nascer um laço estreito tão forte e de tanto bem-querer?
Muito se diz do sangue, dos implicados no mesmo, mesmo sem o saber...
Muitas voltas dá o mundo e muitos passam sorrindo... sem nos ver.
Mas numa hora mais torta, um olhar nos reconforta.
Nasce e nos faz renascer!...

                                                                                                                                                                                                Lou

06 agosto 2012

O que é, o que é?...


O que é uma vovó?
De que lado está me olhando?
Seus cabelos de que cor? Sua boca me chamando?
Não sei se ela é bonita,
nem se é grande ou pequena...
Às vezes é tão branquinha,
outras é tão morena!
Só sei que quando me abraça,
sinto tudo diferente...
Ela me aperta tão forte e rodopia no ar!
Seu perfume me diz coisas que eu não consigo contar...
O que é uma vóvó, eu nem posso imaginar!
                                                                                               Lou

 

15 setembro 2009

A herdeira de Jade

  

(Ilustração de Rae Nakajima)
Maria tinha uma gatinha chamada Jade, por ter uns belos olhos verdes. Ela adorava se aninhar no seu colo, enquanto Maria fazia os trabalhos de casa ou via televisão. E nem queiram saber como Jade ficava feliz quando Maria regressava à casa, depois da escola ou de um passeio! Se enroscava toda em suas pernas e mal deixava Maria caminhar! Nas horas das refeições, era Maria quem preparava o pratinho de jade, com muito cuidado, não fosse alguma pequena espinha de sardinha passar sem que ela se apercebesse! Dava-lhe o banho, escovava seu pelo macio... e antes de dormir, brincavam com uma peninha de gaivota que sua mãe havia encontrado na praia. Uma linda amizade unia as duas!
E veio a primavera com seus perfumes e cores. Toda a natureza em festa! E num desses dias lindos, Maria, ao regressar da escola, não teve a recepção feliz de sua amiga. Procurou-a por todos os cantos da casa, mas nada. Procuraram por todas as ruas e casas da vizinhança, mas nada. Jade tinha desaparecido. Maria ficou muito trise. Sua mãe queria adoptar uma outra gatinha, mas Maria não imaginava substituir sua amiga querida. Todas as tardes ela ficava olhando pela janela, na esperança de ver Jade voltando... E o tempo  foi passando...
Chegou o outono e a volta às aulas. Dias mais frescos e mais pequenos... E foi no final de um desses dias, quando Maria já se preparava para ir dormir, que ela escutou um barulhinho do lado de fora da janela do seu quarto. Curiosa, foi espreitar pela vidraça, e viu uma bolinha aveludada muito pequenina, com duas luzinhas verdes faiscando como duas esmeraldas! Abriu depressa a janela e antes que se desse conta...zupt! A bolinha saltou para dentro do seu quarto e foi direto para a sua cama. Maria, com os olhos arregalados, nem podia acreditar no que via! Ao aproximar-se, viu que era uma filhotinha e reconheceu aqueles lindos olhos verdes, e sua expressão meiga e doce! Era bem a filhinha de Jade!
Foi correndo à cozinha buscar um pratinho de leite morno e quando se deu conta, já a gatinha tinha encontrado a peninha de gaivota e brincava com ela feliz!
Maria adormeceu tranquila.
Sonhou que tinha Jade ronronando em seu colo e que, entreabrindo os seus lindos olhos, lhe dizia... - Obrigado, Maria!
                                                                                                                                    Lou

12 setembro 2009

A sereia Cecília



Ela costumava nadar com uma amiga de infância, e todos os dias partiam para novas descobertas e aventuras, correndo mares e oceanos.


Traziam sempre com elas relíquias e tesouros, que guardavam num belo cofre dourado, muito bem fechado com cadeado de madrepérola.

Um dia, sua amiga lhe contou que iria morar muito longe dali, e que dificilmente voltariam a se encontrar.

Cecília ficou muito triste e sozinha... Sua melhor distracção, passou a ser admirar os tesouros por elas encontrados durante os longos passeios.

Mas, depois de algum tempo, Cecília resolveu ir dar uma nadadinha, para exercitar suas barbatanas.

O mar pareceu-lhe vazio e triste, mas ela insistiu no seu passeio solitário. Até que, de repente, ela avistou um lugar maravilhoso! Um jardim de corais multi-coloridos! Chegando mais pertinho, ela se apercebeu de uma presença estranha e grande como um rochedo! Era o boto Macrocean, que também bastante assustado, arregalou seus grandes olhos e saiu correndo, ou...nadarendo, para sua habitação. Serena também voltou para casa, muito impressionada!

Mas, no dia seguinte, depois de uma boa noite de sono, Cecília, curiosa, voltou ao jardim de corais, e ao avistar ao longe, Macrocean, admirou-se das suas belas cores e do seu jeito macio e delicado de nadar.

Aproximou-se pouco a pouco e foi logo se apresentando e cumprimentando o simpático boto.

E foi assim que aquela manhã passou tão rápido, para tanto assunto e tanta conversa, entre os dois novos amigos.

Desde aquele dia, os passeios se foram multiplicando.

Aquele hábito de procurar tesouros, que Cecília tinha, quando dos passeios com sua amiga, continuou com ela. Só que agora...


(ilustração de Cathy Delanssay)
 

...ela e Macrocean procuravam outras maravilhas, daquelas que habitam as águas, que fazem parte delas, e que estão sempre prontas a serem admiradas.

Aquela nova amizade tinha lhe ensinado a amar essas belezas, conservando-as em seus lugares naturais.

O verdadeiro tesouro daquela amizade, era a liberdade!
                                                                     
                                                                                                                                    Lou

A magia de Dora


Era um vez uma zebrinha chamada Dora, que vivia numa mata muito bonita e colorida.
Ela vivia contando as riscas do seu corpo. Todos os dias, depois do lanche, Dora ia para a sombra de um baobá centenário, e recomeçava a cotagem e recontagem... Mas eram tantas, tantas as suas riscas, que ela nunca conseguia terminar. Acabava sempre por adormecer antes! Para piorar mais, haviam riscas soltas nas suas costas. Por mais que se torcesse e contorcesse, não conseguia vê-las sequer!
Seus pais e irmãos estranhavam o comportamento dela, mas nenhum argumento servia para fazê-la desistir da ideia.
Um belo dia, Dora encontrou um amigo que não via há muitos anos. O gatinho Toquinho.
Contou-lhe a trabalheira que estava tendo com uma ideia que guardava consigo e que não podia explicar para ninguém.
Toquinho logo se propos a ajudá-la e assim o fez. Naquela mesma tarde, embaixo do baobá, quando o sol já se punha, a contagem terminou, enfim.
Dora voltou pra casa toda contente, repetindo sem parar, para não se esquecer: - São 254, as minhas riscas!
Durante aquela noite, ela fez muitas contas de somar, de multiplicar... operações e equações...e...muito cansada...acabou por adormecer!
No dia seguinte, ao ir fazer sua refeição matinal na beira do lago, ela se viu no espelho das águas e... admirou-se com sua nova imagem. Suas riscas, onde estavam? Escondidas nas somas e multiplicações?... Nem ela mesma sabia como explicar, só sabia que era isso mesmo que desejava. Ficar toda negra e lustrosa como uma pantera!
Voltou à correr para casa, toda contente. Encontrou seu amigo Toquinho que nem queria acreditar! Seus pais quase caíram para traz com o susto!
Com o passar dos dias todos se habituaram com o novo visual da Dora, que ficou muito famosa e respeitada por todos os animais daquela região e mesmo pelo mundo todo!


(Ilustração de Quentin Gréban)

Ciência e magia acontecem aos curiosos... quando a vontade é muito, muito grande!

                                                                                                                           Lou


Contentamento



Sr. sapo Jasmim, ficava escondido nas folhagens do caminho para ver o quê?

 Dona rã Magnólia bem sabia!!!
 Era para esperar passar uma certa menininha, visitante costumeira daquele lugar.
 Era uma vez um um domingo no Parque...
 Era uma vez uma menina que, quando ia ao Parque, ficava tão feliz... que até voava!
 Pula sapinho...pula rãzinha...



 Entre um salto e um pulinho... sempre se voa um pouquinho! 

                                                                                                                                    Lou





06 setembro 2009

Um dia muito especial!

     
      Era... uma dia de sol, quando o verão se despedia e chegava o outono...tranquilo.
      No céu azul as aves voavam em rodopios... num ballet moderno, onde a improvisação fazia o encanto e a arte!
      No mar, azul também, veleiros brancos flutuavam em grupos...levados pela doce brisa...
      Na terra, as macieiras mostravam seus frutos já maduros... competindo com os pereiros e as vinhas...
      E ela, pequenina flor do meu jardim... entre magnólias e dálias perfumadas... num dia assim, de sol... disse sim!
      

(Ilustração de Cathy Delanssay)  


É o dia do seu aniversário!    

                                                                                                         Lou
   

05 setembro 2009

A lenda da estrela do mar


Existe uma lenda que diz... que um pequenino e sonhador grãozinho de areia, olhou para o céu, numa noite de luar, e viu uma estrela diferente. A mais bela que ele já havia observado! O grãozinho logo imaginou que aquela cintilante estrela, poderia ser sua namorada...
Passaram-se assim muitos e muitos anos... ela no céu e ele no mar... O grãozinho jurando que se casaria com ela.
Ninguém até hoje sabe se houve realmente um romance entre eles dois... 
 

 Mas o certo é que passado algum tempo... apareceu a estrela do mar!

Contada por vó Lou

03 setembro 2009

Como num sonho


Foi como num sonho.
Eu vi, sim senhor! Pela janela entre-aberta, de uma casinha pequena...
Uma sala de aulas tão diferente e bonita, de um tempo que já lá vai... Onde se aprendia a fazer malha, para os dias de inverno... em todas as cores, todas! Do cinzento ao amarelo!
Um professor ensinava aos pequeninos, alguns novos pontinhos, e uma senhora, ao seu lado, apreciava, com expressão de carinho.
Todos bem vestidinhos, com bibes e sapatinhos nesse tempo tão distante!
As meninas interessadas, em aula tão animada, conservavam o olhar atento, no professor com ares de doutor.
Dizia ele: - Vejam lá, o inverno vai chegar e temos que nos preparar!
Vamos fazer camisolinhas, cada uma mais bonita!
Quero vos ver bem catitas...
Vocês serão as mais bonitas gatinhas deste lugar!...
    
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                                                                                                                     Lou

O ratinho Pipoca

Era um ratinho chamado Pipoca. Sua mãe o chamava assim, porque ele era o filhinho mais pequenino de todos. Era muito fraquinho, e desajeitado, por isso quase nunca acompanhava seus irmãos nas aventuras cotidianas.
Um dia, ele estava sentadinho debaixo de uma árvore, meio triste e pensativo, porque não lhe apetecia fazer nada, quando caiu bem encima de sua barriguinha, uma sementinha vermelha e muito redondinha! Ele se assustou e logo ficou a pensar o que poderia fazer com ela. E caiu mais uma... e outra!...
Pipoca começou a jogá-las para o ar e a tentar apanhá-las. Pouco a pouco foi treinando...
Passava então sua vizinha Maricota, uma coruja branca muito inteligente, que ficou encantada de ver o que Pipoca era capaz de fazer com as sementinhas! Convidou-o para mostrar suas habilidades à sua família e amigos...
Hoje Pipoca é o malabarista mais famoso da mata e o orgulho de sua mãe e irmãos! Muitos fazem muitas coisas, mas o que Pipoca faz...só ele sabe fazer tão bem!

      sourisanim20035

                                                                                                             Lou

O tamarineiro

Havia no quintal da Mariazinha uma árvore muito frondosa e bonita. Chamava-se Tamarineiro. Suas folhas recortadas nunca caiam. Durante todo o ano ela tinha aquelas nuances de verde, que ao sol se tornavam mais claras, meio amareladas, e quando a chuva chegava, se tornavam azuladas. Seus troncos grossos e castanhos tinham lindas rugas, que contavam seus anos, já muitos... muitos... perto de cem!   Num dia triste e nublado, Mariazinha viu que sua árvore estava ficando seca e suas folhinhas caindo, uma a uma... Pareceu-lhe mesmo escutar um suspiro de tristeza... de um passarinho branco, pousado num dos seus galhinhos! Mariazinha correu para acariciar sua amiga e sentou-se junto à ela, cantando uma linda cantiga de embalar... Ali ficou por muito... muito tempo!    
Quando Mariazinha acordou, foi correndo ao jardim e viu, cheia de alegria, que o Tamarineiro estava forte e saudável como sempre. Viu umas plumas brancas de passarinho e uma bela flor, por entre seus ramos.    
Ouviu então uma voz melodiosa, que lhe agradecia o carinho e dedicação...    
Uma brisa passou suavemente nos cabelos de Mariazinha... sacudiu os ramos mais macios da velha árvore que deixou um perfume delicioso no ar...    
       
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                                                                                                               Lou
          

A casa




Era uma casa antiga, abandonada e triste, no alto de uma colina...

Só os gatinhos abandonados a habitavam, e nas noites de luar, houviam-se os seus tristes miados.
Os passarinhos que por ali passavam, não tinham coragem de chegar perto,com medo dos gatos famintos...
As portas e janelas estavam fechadas pelas silvas e mato alto que tinham crescido ao seu redor...
As árvores estavam cansadas de deixar cair seus frutos para o chão, sem que ninguém os provasse sequer...

E veio um dia...
Bárbara chegou de mansinho...
Abriu as portas e janelas e olhou a paisagem serena. Ficou encantada!
Que trabalheira!
Limpou toda a casa por dentro e por fora, colocou cortinas nas janelas... Tratou das árvores e do jardim, semeou flores... Deu comida e guarida aos gatos...

E desde esse dia...
É uma casa no cimo da colina, habitada por alguém que é feliz...
De dia cheira a fruta madura... Portas e janelas abertas e floridas...
De noite, Bárbara senta no sofá que colocou em sua linda varanda, e põe-se a cantar lindas melodias...
Os gatos e pássaros vêm ter com ela...
O cheiro do jasmim e das magnólias envolve tudo...
A brisa morna da noite faz cintilar as estrelas...
E a paz do lugar, enamora o luar.
Bárbara mora lá!



                                                                                      Lou

A pequena fada de madeira


Alguém deve ter passado naquela mata serrada e visto aquela fadinha.
Num dia de outono, uma árvore muito idosa começou a descascar seu grosso tronco. Fatias finas de sua pele caíram no solo húmido e fresco e foram-se enrolando... torcendo... pegando forma.
Tornaram-se cada vez mais delicadas, de cor clara e acetinada.
Numa manhã de sol morno, nasceu Magnólia.
Sua pele macia, seus cabelos de musgo entrelaçados com flores silvestres...
Ela era a bela fada dessa floresta densa.
Qualquer brisa a transportava de um canto ao outro da mata.  Rodopiava por entre os galhos secos das árvores desnudas e falava com os pássaros friorentos, nos ramos dos pinheiros, resistentes ao frio.
Assim a viram e contaram... como a pequenina fada de madeira. 
Assim imagino que ela se renova à cada outono.
Magnólia...
Quem terá passado naquela mata serrada e visto aquela fadinha?...

                                                                                                                                          Lou